
YUHANNA MARUN
Yuhanna Marun (João Maron), Primeiro Patriarca Maronita. Por razão desta situação confusa e humilhante para a Igreja de Antioquia, os adeptos do Concílio de Calcedônia nesta Igreja, orientados pelos monges dos mosteiros maronitas, não pararam diante de uma lei, não pediram o conselho de ninguém, não aceitaram nenhuma nomeação ou confirmação de estranhos. Reuniram-se e decidiram eleger um Patriarca vivendo no meio do povo. Para essa finalidade foi eleito e entronizado o Bispo de Batroun, Yuhanna (João) Marun, como primeiro Patriarca Maronita de Antioquia.
Segundo seus biógrafos, antigos e modernos, baseados sobre a tradição, Yuhanna Marun nasceu no início do século VII, na cidade de Sarum, na região de Antioquia. Fez seus estudos na cidade de Antioquia e no principal mosteiro de São Marun na Síria Central, perto de Maarret Annaman. Depois de sua ordenação sacerdotal, a sua atividade intelectual e seu zelo missionário irradiaram até bem longe daquela região. O Legado do Papa em Terra Santa, o nomeou Bispo de Batrun (norte do Líbano) em 675 ou 676. A sua atividade missionária continuou irradiando-se no Líbano e em outros países da região.
Em 686 ou no início do século VIII, o Bispo Yuhanna Marun foi eleito Primeiro Patriarca Maronita pelos monges siríacos do Patriarcado de Antioquia com apoio do povo. Desde a sua entronização teve que enfrentar dois obstáculos de grande importância. O primeiro veio da parte do Imperador Justiniano II, que recusou reconhecê-lo como Patriarca. O segundo obstáculo consiste no confronto com o Império árabe Omyade, cuja capital era Damasco. Depois de sua eleição, o primeiro Patriarca Maronita teve uma passagem rápida em Antioquia, na Igreja do mártir São Babilas. Perseguido pelo Imperador Justiniano II, deixou Antioquia para se dirigir ao Mosteiro de São Marun na província de Apaméia e a outro mosteiro perto de Damasco onde permaneceu também pouco tempo. Perseguido pelo exército bizantino, teve que se dirigir ao Líbano e estabelecer a sua residência provisória em Kfarhai, região de Batrun, a sua antiga diocese, onde guardava como relíquia de grande valor, o crânio de São Maron.
Além disso, o Kalifa não queria admitir a presença de um Patriarca no Líbano, dando apoio e acréscimo de força aos exércitos Maradat, inimigos dos Árabes. Por isso, os combates recomeçaram entre árabes e Maradat no início do Patriarcado de Yuhanna Marun. Este reunia em sua pessoa as qualidades do Pastor religioso e do chefe político, isto é a prudência, a sabedoria e a coragem dos heróis nacionais. Essas qualidades e o tempo conseguiram afastar gradativamente os dois principais obstáculos. O primeiro Patriarca Maronita foi conhecido por sua santidade e sua alta cultura teológica. Ele passou a ter uma vida melhor perto do ano 710. Como acontecia naquela época, o povo maronita levou o Patriarca Yuhanna Maroun aos altares. Celebramos a sua festa no dia 2 de março de cada ano.
Assim nasceu o maronismo, um ato de contestação, de liberdade, uma iniciativa criadora e única em seu gênero na Igreja, numa unidade perfeita. Disse Charles de Clerq: “O poderoso mosteiro de São Marun, tendo jurisdição sobre a população dos arredores do convento, se declara independente e forma uma verdadeira Igreja a testa da qual nós encontramos, no século VIII, um Patriarca.”
Ao instituir um Patriarcado autônomo, sem pedir a autorização do Califa Omeyade ou do Imperador Byzantino, segundo a mentalidade daquela época, os Maronitas cometiam um ato de rebeldia de uma audácia incrível. Além disso, não aceitaram, mais tarde, solicitar a investidura (Firman) exigida pelos governadores muçulmanos para todos os Patriarcas e Bispos. Os discípulos de São Marun, têm sustentado essa negativa desde a época dos Califas Omeyades até o ano 1918, data do fim da época Otomana no Líbano. Este ato de ilegalidade renovado durante doze séculos, define perfeitamente o caráter dos Maronitas, seus planos e seu destino. Foi a ilegalidade introduzida como princípio de existência frente às legalidades tirânicas oficiais. Desta iniciativa dos monges disse o Papa Bento XIV: “Perto do fim do fim do século VII, enquanto a heresia causava desolação, o Patriarcado de Antioquia, os Maronitas a fim de se colocarem ao abrigo desse contágio, resolveram escolher um Patriarca cuja eleição foi confirmada pelos Pontífices romanos.”
