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Os Maronitas e o Líbano

23 de jul.
3 min de leitura

Perseguidos em razão de sua fé, os Maronitas tiveram que se refugiar, a partir do século VII, no Líbano, mas a maior parte deles migrou depois da destruição do Mosteiro de São Marun pelos árabes, no ano 939. Os imigrantes encontraram na Montanha Libanesa uma terra de liberdade, e com o espírito tenaz, transformaram seu árido solo em um florescente e fecundo jardim. 


Como os Maronitas não pediram o consentimento de ninguém para instituir um Patriarcado, tampouco pediram autorização para escalar as montanhas do Líbano, abrigar-se em seus cimos e seus vales e transportar um pouco de terra de suas roças, a fim de plantar nela algo que comer. Eles fizeram também, do Monte Líbano, um refúgio para todos os oprimidos no Oriente. 


Por um ato de liberdade, os Maronitas nasceram e apareceram no mundo, e por causa desta liberdade migraram de uma terra para outra, do Oriente até o fim do Ocidente. Foram perseguidos e não perseguiram ninguém. Na liberdade está a razão de ser das garantias que continuam exigindo dos amigos Orientais, Europeus, Americanos e da ONU. 


A sua história identificou-se com a história do Líbano, e não será estranho vê-los defender sua pátria com valentia , sangue e heroísmo. Jamais o Líbano, único baluarte do Cristianismo em Oriente, aceitou a submissão aos inimigos, graças à luta dos Maronitas e seus irmãos Libaneses contra os inimigos opressores. Disse Khaled Ibn Alwalid: Submeti países que se prostraram como camelos. Porém o Líbano permaneceu em pé como gigante. 


Se a Igreja Maronita, cercada por regimes profundamente teocráticos, conseguiu resistir e preservar a sua identidade, é porque ela se erigiu rapidamente em Nação, para poder sobreviver. As circunstâncias históricas e a facilidade de adaptação deste povo à convivência com outros povos e outras mentalidades causaram grande transformação. A Montanha Libanesa tornou-se como uma grande muralha frente a todos os invasores. 


Dois acontecimentos importantes na segunda parte do século VII ajudaram muito ao fortalecimento dessa nova Nação. A chegada às montanhas libanesas, a partir do ano 676, dos guerreiros arameus chamados Maradat, com a finalidade de combater os Omyades da Síria. Todos os Maradat que ficaram no Monte Líbano converteram-se em Maronitas e, em contrapartida, o exército dos Maronitas se chamou desde então Maradat. O segundo acontecimento já citado, foi a instituição do Patriarcado Maronita. Mas o completo fortalecimento e a oficialização da Nação Maronita aconteceram no século X, com a transferência definitiva deste Patriarcado, em 939, da Síria para o Líbano, pelo Patriarca João Marun II. 


Este maronismo não se reduz, pois, a uma Igreja, nem pode limitar-se a uma terra, já que pelo universalismo de sua fé católica, por sua difusão geográfica em todos os continentes, pela diversidade de suas expressões culturais, desborda as fronteiras de um determinado território nacional. Em virtude de todos estes aspectos, o Maronismo é um testemunho universal. Por conseguinte, ele consiste numa abertura a todas as Igrejas, a todas as confissões religiosas, a todos os homens de boa vontade. 


Contudo, todas essas riquezas teriam sido sem dúvida esgotadas e a personalidade maronita se teria desagregado se não tivesse existido, em alguma parte, um centro de gravidade destinado a assegurar a unidade e a manter a coesão. Este centro é o Líbano, desde o ano 939, quando a sede patriarcal passou a ele em forma definitiva, instalando-se em Yanouh, nas altas montanhas de Biblos. O resultado esperado foi o nascimento de um povo e de um país, já que sem o Maronita, a terra, como tantas outras zonas do Oriente, teria sido estéril pela falta de herdeiros naturais, e o Maronita, sem a terra, seguramente teria errado de porto em porto até perder-se definitivamente. 


A vida religiosa do povo Maronita é assim ligada intimamente a sua vida política e nacional, de maneira que uma não pode ser explicada senão pela outra. Neste sentido disse Ristelhueber: Fortemente agrupados ao redor de seu clero e de seu Patriarca, os Maronitas constituem logo um pequeno povo de uma essência particular. O vale sagrado de Kadicha escavado de celas de eremitas, os cedros dos altos cumes, símbolo de sua vitalidade e de sua independência, e o mosteiro patriarcal de Cannobin, alcanforado como um ninho de águia, resumem toda a sua história. Assim, falar de Maronitas e do Líbano é falar de duas entidades bem ligadas entre si, as suas relações são tão íntimas que se perdem na noite dos tempos.


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