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São Maroun nas fontes da Antiguidade Cristã

23 de jul.
3 min de leitura

A primeira fonte de informação que diz respeito a São Maron, é uma carta que São João Chrisóstomo mandou em 405, de seu exílio de Cucusa, na Armênia, a Marun, sacerdote eremita. São João Chrisóstomo pede orações a São Marun,  e lamenta porque não pode visitá-lo pessoalmente. Esta carta é um testemunho autêntico de um contemporâneo que conheceu pessoalmente São Marun, e apreciou muito a sua piedade. 


A segunda fonte de informação apareceu uns vinte anos mais tarde. É a famosa obra História Religiosa, do Bispo, historiador e teólogo, Theodoreto de Cyr (Quroch), que deu mais informações sobre a vida do eremita São Maron e de sua influência espiritual sobre seus discípulos e sobre o povo na região norte da Síria. 


Segundo o Bispo de Cyr ( 393-452), na segunda metade do século IV e nos princípios do século V, sobre uma montanha situada na região da Apaméia, vivia um santo anacoreta chamado Maron. Retirou-se naquela montanha, perto de um templo pagão que ele próprio havia transformado em igreja. Dedicava-se à oração e à penitência. Vivia dia e noite ao ar livre. Poucas vezes , quando o frio ou o calor chegavam ao extremo, ele se refugiava sob uma tenda de pele. 


Theodoreto disse também que São Marun, de origem antioquena, foi dotado de muita sabedoria que fez dele grande diretor de almas. A austeridade de sua vida e o dom dos milagres do qual foi favorecido, fizeram dele um dos grandes expoentes da fé católica daquela região. Deus sendo rico e generoso para com os seus santos, o gratificou com o dom de curar as doenças. Sua fama espalhou-se por toda a região. As multidões acorriam a ele. Com efeito, a febre parava sob o rocio de sua bênção , os demônios fugiam, os enfermos recuperavam a saúde pela virtude de um único remédio: a oração do Santo. Porque os médicos prescrevem um remédio para cada doença, mas a prece dos amigos de Deus mostra-se como o remédio que cura todas as doenças.


Contudo, Marun não curava somente as doenças do corpo, ele curava igualmente as doenças da alma. Libertava uns da avareza, outros do ódio, ensinava a uns a lei da justiça e acordava outros do sono da negligência. 


O mesmo historiador chama São Marun: O Grande, O Sublime, O Divino. Por suas orações e pregações ele converteu muitas pessoas da cidade de Cyr (Quroch) e de toda a região norte da Síria, ao Cristianismo e se tornou um exemplo a ser seguido. Ele foi considerado um dos fundadores da vida monástica no Oriente. Numerosos foram os discípulos, homens e mulheres que, seguindo o exemplo deste eremita e querendo imitá-lo, transformaram as cavernas, as grutas, os morros em ermidas. Todos esperavam a visita do Santo para escutarem seus sermões e receberem dele as orientações necessárias para a vida ascética e mística. Assim, podemos entender a conclusão entusiasmada de Theodoreto, contente de ver os frutos da piedade crescendo muito, nos jardins de sua diocese: “Em suma, o ensino do Santo fez crescer muitas plantas para a sabedoria celeste. Marun cultivava para Deus este jardim que floresce em todas as regiões de Cyr.” 


O famoso historiador termina a biografia de São Marun falando de sua morte que ocorreu perto do ano 410, depois de uma breve doença mostrando no mesmo momento a fraqueza da natureza e a sua força espiritual. O desejo de conseguir seus restos mortais levou a uma forte disputa entre os habitantes das cidades vizinhas. Porém, os habitantes da maior cidade da região, chegaram em grande número, e levaram esse rico tesouro. Mais tarde, construíram sobre seu túmulo, uma grande Igreja.


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